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Postado:     08:38

Carne desenvolvida em laboratório pode ser alternativa para consumo em breve

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No mundo inteiro, pesquisadores  de “startups” que são projetos de pesquisa que pretendem se tornar empresas, trabalham para desenvolver carne em laboratório, sem sofrimento para o animal, e sem os custos financeiros e ecológicos da pecuária.

No mercado, conhecido clean meat (carne limpa, em alusão à energia limpa), estão empresas como Beyound Meat, Clara Foods e SuperMeat, nos Estados Unidos,  e a Mosa Meat, localizada em Amsterdã, na Holanda. Nestas empresas, a carne é feita a partir de uma célula-tronco retirada de algum animal por meio de um processo semelhante à doação de medula óssea. O bicho não precisa sofrer.

A Memphis Meats, localizada em São Francisco anunciou em 2017, ter criado as primeiras tiras de frango e pato de laboratório. Em 2016, a startup também já havia feito bolas de carne sem qualquer tipo de animal.

“Com uma célula é possível produzir carne para o resto da vida”, diz Homero Dewes, PhD em análise de proteínas pelo Instituto Max-Planck de Bioquímica de Mastinsried-Munique, na Alemanha. Depois de retirada, a célula passa por um processo de suplementação em que são colocados diversos nutrientes.

Mas associações de pecuaristas no mundo todo começam a agir para modificar alguns aspectos da divulgação dessas descobertas, como por exemplo o nome “carne limpa”.

No momento não há um vislumbre de quando poderemos ir ao mercado e comprar um pedaço de carne produzida em laboratório, mas os investimentos em “fundos de carne limpa” estão cada vez mais altos e com isso os produtores começam a se movimentar para que os novos produtos não sejam chamados de “carne” ou até mesmo “bife”.

Os pecuaristas em todo o mundo alegam que, ao chamar de carne tais experimentos, a verdadeira origem fica oculta. São carnes que tem origem no cultivo de células em laboratórios, e não em animais. Mesmo que no momento não haja perigo comercial para a pecuária, os termos que serão utilizados para nomear os novos produtos podem determinar o sucesso ou não do novo alimento.

“Estamos muito preocupados com rótulos verdadeiros” afirma Lia Biondo, porta-voz da Associação dos Pecuaristas dos Estados Unidos. “Nossos associados querem levar aos consumidores toda a informação necessária para decisões” disse se referindo à possibilidades de compra.

Outras associações já fizeram pedidos para departamentos de agricultura de seus países para que as startups de cultivo de carne em laboratório sejam impedidas de utilizar o termo “carne”, mesmo que o sabor, textura e consistências sejam semelhantes.

Para economistas, o fato que pode alterar a futura guerra entre carne tradicionalmente animal e a de laboratório é justamente o termo. Outras proteínas como as veganas ou vegetarianas já estão à venda no mercado, mas é a primeira vez que pesquisas utilizam “carne” na nomenclatura.

 

Informações: Globo | Foto: Ilustrativa 

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